Estudo genético mapeia 11 mil anos da evolução canina

Estudo genético mapeia 11 mil anos da evolução canina

Um estudo publicado na ltima quinta-feira (29) na revista cientfica Science mostra que a histria canina paralela histria humana. A pesquisa, que a maior j feita com genomas antigos de ces, sugere que, at certo ponto, para onde as pessoas iam, seus amigos de quatro patas as seguiam.

At pouco tempo atrs, a histria canina era contada a partir do DNA de ces modernos, mas o mtodo oferecia respostas inconclusivas, visto que muito da diversidade gentica dos primeiros ces provavelmente foi perdido quando as raas modernas foram estabelecidas. Com os primeiros estudos envolvendo genomas caninos antigos, possveis mudanas anteriores nas populaes caninas comearam a ser notadas. No entanto, ainda com apenas seis genomas de ces ou lobos antigos, a pesquisa continuava sendo insuficiente.

Agora, com a anlise de mais de duas dzias de ces eurasianos antigos em mos, os pesquisadores chegaram concluso que esses animais foram domesticados e se espalharam pelo mundo h mais de 11 mil anos. Embora as respostas sejam mais slidas, o estudo ainda no foi capaz de responder quando ou onde aconteceu a domesticao.

“Os ces so um corante traador separado para a histria humana”, explicou Pontus Skoglund, geneticista populacional do Instituto Francis Crick, em Londres, que coliderou o estudo. “s vezes, o DNA humano pode no mostrar partes da pr-histria que podemos ver nos genomas dos ces”, acrescentou.

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A amizade entre humanos e ces j dura h muito tempo. Imagem:Jaromir Chalabala/Shutterstock

Para expandir as amostras de DNA de ces antigos disponveis, o Instituto Francis Crick uniu foras com as equipes lideradas por Greger Larson, geneticista evolucionista da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e por Ron Pinhasi, arquelogo da Universidade de Viena, na ustria. Juntos, eles sequenciaram 27 genomas de ces antigos. As amostras vieram da Europa, do Oriente Mdio e da Sibria, e variaram em idades de 11 mil a 100 anos. “11 mil anos atrs, havia pelo menos cinco grupos diferentes de ces em todo o mundo, ento a origem dos ces deve ter sido substancialmente anterior a isso”, afirmou Skoglund.

Com tantos genomas, os pesquisadores puderam seguir as antigas populaes caninas medida que se moviam e se misturavam, a fim de comparar essas mudanas com as das populaes humanas. At certo ponto, as viagens dos ces eram paralelas s das pessoas. Quando os fazendeiros do Oriente Mdio comearam a se expandir para a Europa, h 10 mil anos, eles levaram ces e os animais, assim como seus donos, se misturaram com as populaes locais. J os antigos ces do Oriente Mdio, que viveram por volta de 7 mil anos atrs, esto associados aos ces modernos da frica Subsaariana, o que pode ter a ver com os movimentos humanos de “volta frica” naquela poca.

Contudo, a partir de um certo momento isso mudou: h 5 mil anos, um grande afluxo de pessoas das estepes da Rssia e da Ucrnia levou a uma mudana duradoura na composio gentica dos humanos europeus, mas no de seus ces.

A causa dessa desconexo fica para um prximo estudo com um vis diferente. “Foi um caso de introduo de algo como uma doena? Preferncia cultural? Abandono do velho pelo novo?”, questionou Angela Perri, zooarqueloga da Universidade de Durham, tambm no Reino Unido. “Essas so provavelmente questes culturais que o DNA no consegue responder”, concluiu.

Via: Nature

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