por que os testes podem não dizer se elas previnem casos graves

por que os testes podem não dizer se elas previnem casos graves

Nunca se falou tanto em fase 1, 2 e 3 de desenvolvimento de um composto farmacutico. A corrida por uma vacina contra a Covid-19 trouxe para o cotidiano do cidado comum alguns dos jarges da cincia. Neste momento, h vrios estudos chegando fase 3, que definir se algum composto poder ser distribudo para imunizao da populao. E depois?

A fase 3 visa entender a eficcia da vacina, principalmente. algo que no pode ser medido nas fases anteriores, voltadas principalmente para segurana e a capacidade de gerao de anticorpos, pela falta de uma base robusta de voluntrios, que do mais poder estatstico aos resultados.

At o momento, algumas farmacuticas j abriram seus protocolos que determinam o que uma “vacina eficaz”. Sinovac, Moderna, Pfizer e AstraZeneca j informaram que esperam que um nmero pr-definido de voluntrios precisam se contaminar com a Covid-19 para obter essa resposta. Quando esse nmero for atingido, os pesquisadores observaro quantos deles receberam a vacina e quantos receberam o placebo e, se houver uma diferena estatstica relevante entre os dois grupos, significa que o composto ser declarado eficaz. O tamanho dessa diferena determinar o percentual de eficcia.

Contudo, existem algumas crticas a esse mtodo. A revista cientfica BMJ traz um editorial, assinado pelo editor Peter Doshi, que afirma que o desenho desses estudos conta com um erro metodolgico que impede a medio correta da eficcia de uma vacina.

Uma vacina antiviral bem-sucedida, como ele descreve, deve, primariamente, proteger o organismo de desenvolver uma forma grave da doena. Alm disso, a vacina, idealmente, cortaria a cadeia de transmisso, impedindo que quem foi vacinado transmita o vrus adiante. No o que os estudos esto medindo at o momento.

Os cientistas esto computando qualquer caso confirmado de contgio com sintomas, mesmo os mais leves, como um evento que entra naquele nmero mnimo necessrio para realizar a anlise. A queixa com essa metodologia de que, ao fazer isso, os cientistas no esto analisando se a vacina realmente capaz de fazer o seu trabalho, que proteger contra os casos mais graves da doena. Como os casos leves de Covid-19 so mais comuns do que os graves, os resultados se basearo majoritariamente na anlise de casos menos perigosos entre os voluntrios. Uma anlise mais rigorosa dependeria de acompanhar com mais afinco os casos moderados e graves, para obter uma resposta mais definitiva sobre proteo contra esse tipo de infeco.

No entanto, como os casos mais severos de Covid-19 tendem a ser mais raros, acumular dados sobre esse tipo de quadro seria mais difcil, necessitando de mais tempo ou de mais voluntrios, e ambas as alternativas parecem pouco viveis diante da pressa por uma vacina funcional.

Simultaneamente, as pesquisas no esto medindo a capacidade das vacinas de interromper a cadeia de transmisso do vrus. Tal Zaks, diretor mdico da Moderna, explica ao BMJ que, para isso, seria necessrio acompanhar cada voluntrio e realizar dois testes PCR por semana por um longo perodo, o que no seria financeiramente vivel com uma base de 30 mil participantes.

preocupante?

Outro artigo apresenta um contraponto. Apesar de, sim, o acompanhamento de casos graves no ser a prioridade das vacinas em teste at o momento, isso no deve invalidar os estudos, como defende Sarah L. Caddy, pesquisadora de imunologia viral, em artigo publicado no site The Conversation.

Ela defende que, ainda que os estudos no sejam projetados para acompanhar os casos mais severos, os pesquisadores ainda analisaro os nveis de gravidade das infeces e podero obter informaes valiosas, ainda que as evidncias sejam mais frgeis, devido ao baixo nmero de casos.

A pesquisadora aponta tambm que outra crtica comum a falta de idosos e imunossuprimidos nos estudos, justamente algumas das pessoas mais em risco em caso de contgio. Isso tambm no invalidaria os estudos; no mximo no garantiria a eficcia entre esse pblico especfico. Afinal de contas, mesmo uma vacina que seja eficaz apenas entre adultos teria sua utilidade se impedir que eles propaguem o vrus e o leve at os grupos menos protegidos.

No fim das contas, no entanto, ela conta que a eficcia real de uma vacina s pode ser aferida quando ela tem ampla distribuio dentro de uma populao. At l, os testes clnicos apenas podem analisar uma frao dessa populao para avaliar os resultados para extrapolar o que acontece quando a mesma tcnica for aplicada “para valer” para milhes de pessoas. Mesmo com a frmula em ampla distribuio, os estudos devem prosseguir por mais alguns anos.

Confira em tempo real a COVID-19 no Brasil:

GarotoProdigio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *